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Empresas apontam mudanças climáticas e ESG como maiores desafios
Publicado em 21/01/2022 às 07h55
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Com as intensas transformações do ambiente de negócios nos últimos anos, as empresas brasileiras estão passando por um fortalecimento de sua gestão de riscos, apesar de ainda haver desafios. A conclusão é da pesquisa "Cinco Pilares de Riscos Empresariais 2022", elaborada pela Deloitte. O levantamento, que está em sua sétima edição e é realizado a cada dois anos, ouviu 130 empresas, entre agosto e outubro de 2021.

A pesquisa mapeou os cinco pilares de riscos enfrentados pelas empresas e constatou que mais da metade delas têm indicadores de riscos financeiros (57%), enquanto 48% têm indicadores de riscos operacionais, 45% de riscos regulatórios, 44% de riscos estratégicos e 41% de riscos cibernéticos.

Camila Boretti, sócia e líder da prática Accounting & Internal Controls da Deloitte, explica que é comum que riscos financeiros e operacionais sejam mais endereçados porque são áreas em que as empresas tiveram maior amadurecimento no passado. Mas elas estão começando a ampliar o foco de suas estratégias de gestão de riscos. "Hoje, as empresas percebem fatores externos, sobre os quais elas não têm controle e que podem ter grande impacto nos negócios. É onde surge a preocupação com as mudanças climáticas, a agenda ESG [sigla que se refere a aspectos ambientais, sociais e de governança das empresas], as novas cadeias de fornecimento, as novas tecnologias", destaca.

Os temas mencionados por Camila foram apontados na pesquisa como principais desafios de médio e longo prazo para as empresas. O mais citado foram as mudanças climáticas (80%), seguido de ESG (67%), mudança de comportamento populacional (65%), novas cadeias de fornecimento (63%), disrupção tecnológica (60%) e atração e retenção de talentos (59%).

O ESG também foi apontado como importante nas atividades cotidianas de 65% das empresas - mas 58% delas declararam possuir um nível baixo de maturidade em relação ao tema. Falta de compreensão sobre como mensurar e gerir (50%) e falta de conhecimento sobre o assunto (20%) foram os fatores mais apontados como barreiras para a integração do ESG com o dia a dia das empresas.

Avanços e desafios

Também segundo a pesquisa, a estruturação de áreas e funções para a gestão de riscos teve avanços, mas as empresas ainda enfrentam desafios na formalização e na integração dos processos.

A maioria das empresas afirmou ter áreas de auditoria externa (89%), segurança da informação (82%), auditoria interna (75%), riscos (72%) e compliance (71%). Mas os números são mais baixos quando o assunto é a integração das práticas relacionadas à gestão de riscos: 57% das organizações adotam metodologia Enterprise Risk Management (gerenciamento de riscos corporativos) integrada; 54% têm critério unificado na classificação de impacto de riscos; e 53% adotam um dicionário unificado de riscos.

"Percebemos que o modelo de negócios tem cada vez mais necessidade de ter processos de riscos estruturados, formalizados, e com uma visão mais preventiva", diz Alex Borges, sócio e líder de Regulatory Support & Strategic Risk da Deloitte.

"As mudanças de contexto político e econômico e a velocidade de materialização de riscos globais, como a pandemia, por exemplo, trouxeram uma mudança significativa na gestão de riscos, uma transformação para que ela de fato seja um pilar dos negócios. A gestão de riscos vem amadurecendo de forma contínua, para ser um instrumento importante dentro dos modelos de governança corporativa da empresa", acrescenta.

A pesquisa ainda traz dados sobre o uso de tecnologia nos processos de gestão de riscos das empresas: apenas 26% consideram avançada a adoção tecnológica de sua organização para a gestão de riscos, mas 54% têm área de desenvolvimento de novas tecnologias para a empresa como um todo, o que sugere uma oportunidade para que as empresas implementam mais soluções tecnológicas.

"A tecnologia pode ser um instrumento na integração das funções de risco", diz Camila Boretti. "Ela também pode trazer um caráter de preditividade ao risco, com cenários que antecedem as crises, e pode ser um meio de monitoramento dos riscos e do ambiente de controle das empresas", afirma.

Apesar dos avanços, poucas empresas ouvidas na pesquisa se classificam como tendo um alto grau de maturidade da função de riscos: apenas 9% se posicionaram no nível "otimizado", o mais alto. As restantes se classificaram nos níveis "consolidado" (25%), "definido" (25%), "fragmentado" (29%) e "inicial" (12%), sendo esse último o nível mais baixo.

Os principais desafios na implantação de um processo eficaz de gestão de riscos segundo as empresas são a cultura da organização (apontado por 66% das participantes) e a falta de prioridade da administração (45%). Segundo Alex Borges, é imprescindível que a gestão de riscos faça parte da cultura da empresa e de sua estratégia de negócios.

"Ainda há dificuldades para as empresas considerarem a gestão de riscos uma prioridade. Mas temas como a pandemia, mudanças climáticas e ESG levantaram essas discussões e hoje há uma busca por processos de risco com visão mais preventiva, além de uma reflexão em relação à importância da participação efetiva da alta administração. A gestão de riscos não deve ser somente uma área, uma diretoria, um processo. Deve ser alinhado à cultura e permear toda a empresa, na busca pela vantagem competitiva, pela preservação de valor", explica.

Gestão de crises

Para Borges, outro aspecto importante da gestão de riscos é a gestão de crises. "As empresas também estão percebendo que precisam ter bons processos de gestão de crises. A partir do momento que há um risco materializado, como a pandemia, por exemplo, se instala uma crise e são necessárias ações", diz.

A pesquisa mostrou que as empresas tomam medidas para mitigar riscos, como a definição de papéis e responsabilidades (81%), o monitoramento contínuo de potenciais cenários de crise (63%) e o uso de métodos, controles e planos de gestão de crises (54%). No entanto, algumas práticas são adotadas por poucas empresas: processos para minimizar cenários de crises (28%), treinamento da alta administração sobre respostas a cenários de crises (26%) e comunicação mensal sobre continuidade de negócios e gestão de crises (25%).

"Ainda há oportunidade para evolução em relação à gestão de crises. As empresas ainda não têm todos os cenários definidos e não possuem treinamentos periódicos com as proposições de realização desses cenários. As organizações estão passando de fato por um processo de fortalecimento, trazendo a melhor relação entre administração e conselhos e buscando convergir nas questões de cultura e de participação efetiva da administração. Mas é preciso também refletir sobre os cenários de crises e as ações mitigantes para poder minimizar eventuais impactos", conclui Borges.
Fonte: O Estado de S. Paulo
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