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Operações com juros livres movem bancos privados no segmento agro
Publicado em 07/05/2021 às 08h48
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A nova Lei do Agro, que completou um ano em abril, e o momento ímpar vivido pelo setor agropecuário brasileiro, com sucessivas safras recordes de grãos e fortes altas de preços das commodities, abriram novas oportunidades para a atuação dos bancos privados no segmento de crédito rural, com desempenhos que foram destaque nos balanços divulgados nos últimos dias.

Muito além do Plano Safra, as carteiras de agronegócio de Itaú, Bradesco e Santander, as três maiores instituições privadas que atuam no ramo, têm sido sustentadas por operações com recursos livres, títulos do agronegócio e financiamentos a exportações, que atingem níveis históricos. Juntas, as operações rurais do trio crescem, em média, 20% ao ano e chegam a cerca de R$ 140 bilhões.

"Independentemente do Plano Safra, o agronegócio virou estratégico para grande parte dos bancos, e queremos aumentar nosso share", diz Roberto França, diretor de Agronegócios do Bradesco. Para ele, a alta dos preços dos insumos agrícolas, em virtude do dólar valorizado, e o forte ritmo de investimentos no campo deverão continuar a impulsionar a procura por crédito no decorrer do ano. "Certamente nosso portfólio vai crescer de 20% a 25%".

A carteira de agronegócios do Bradesco saltou de R$ 20 bilhões para R$ 33 bilhões em três anos. Os empréstimos para empresas rurais e produtores deverão alcançar R$ 70 bilhões em 2021, diz França, e a maior parte não é feita mais pelas linhas tradicionais do crédito rural. "Estamos ampliando [a carteira] com mais recursos próprios de tesouraria". O banco já movimenta R$ 12 bilhões com CPRs, e operações em dólar e com Notas de Crédito à Exportação (NCE) inflam o bolo.

No Itaú, é flagrante o reflexo positivo das flexibilizações feitas pela nova legislação nos títulos do agronegócio. A emissão de Cédulas de Produto Rural (CPRs) dobrou em um ano. Pedro Fernandes, diretor de Agronegócios do banco, afirma que esses papéis têm potencial para se tornarem o produto mais relevante para financiamento do setor nos próximos anos.

A permissão para emissão de CPRs em dólar e para produtos de primeira industrialização são determinantes para esse movimento. Em um ano de boa rentabilidade com as commodities, as agroindústrias precisaram de mais caixa para comprar os grãos e processá-los, e o Itaú conseguiu atender à demanda com esses títulos. "Como algumas categorias que podem operar o título ainda não decolaram, estamos otimistas".

O portfólio de financiamentos de empresas e produtores rurais do Itaú passou de R$ 38,6 bilhões, em março de 2020, para R$ 46,7 bilhões no mesmo mês deste ano. A meta é chegar a R$ 50 bilhões até o fim de 2021. "A CPR ficou mais inclusiva. Cerca de 80% das nossas operações são títulos do agro e comércio exterior, com notas de crédito e pré-pagamento", conta Fernandes.

No Santander a realidade é a mesma. Apenas 25% das operações do banco no segmento rural estão atreladas a recursos obrigatórios e às linhas de investimentos do BNDES, que nesta safra se esgotaram em poucos meses. A carteira do banco cresceu 30% nos últimos anos, em média, e chegou a R$ 25 bilhões, com grande peso de CPRs e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA). "O avanço tem sido em linhas de recursos livres e no atendimento ao varejo", diz Carlos Aguiar, diretor de Agronegócios da instituição.

A expectativa de Aguiar para este ano é das mais positivas. "Existe uma liquidez monstruosa e o setor está bombando". Primeiro banco a estruturar os Créditos de Descarbonização (CBios) criados na política RenovaBio, o Santander também é o segundo maior no ranking de contratos futuros de commodities na B3.

Em tempos de ascensão dos negócios com recursos livres, a preocupação dos bancos privados continua a se concentrar nas exigibilidades do crédito rural. Para a safra 2021/22, 25% da média dos depósitos à vista deverão, obrigatoriamente, ser emprestados ao setor. O problema é que o volume de recursos depositados aumentou cerca de 20% nessas instituições, com as pessoas mais avessas a risco na pandemia. Com menos capilaridade que o Banco do Brasil, líder no segmento no país, os privados dificilmente cumprirão a exigência a partir de julho.

A maior dificuldade é o Pronaf (agricultura familiar). Os bancos têm aumentado os desembolsos diretos, mas a maior parte da aplicação ainda é por meio dos Depósitos Interfinanceiros (DIR) para cooperativas de crédito.

Com departamentos de TI sobrecarregados de demandas ligadas a Pix e open banking, nenhum banco privado começou a estruturar sistemas ou demonstrou interesse em operar os recursos da equalização federal. Para operar essa novidade da Lei do Agro, querem critérios mais claros para o acesso à subvenção e a perpetuação da medida.

Pedro Fernandes, do Itaú, conta que há outros complicadores para a próxima safra. O primeiro é o "desenquadramento" de produtores da agricultura familiar. Ao faturarem mais com a alta dos preços, muitos poderão passar ao Pronamp (médios produtores) caso o governo não ajuste a régua da receita para cima. O movimento pode diminuir ainda mais o público familiar, um empecilho a mais para aplicar todo o dinheiro. "Existe uma sobreoferta de recursos. Estamos conseguindo aplicar, mas sempre no limite", afirma.

Para melhorar a vazão, os executivos também defendem que os recursos obrigatórios possam ser usados para as operações de investimentos, que estão com demanda superaquecida. Mas o governo federal resiste.
Fonte: Valor Econômico
Texto extraído do boletim SCA
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