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Transportadoras de combustíveis fazem paralisação contra preço do diesel
Publicado em 22/10/2021 às 08h06
Movimento impede o carregamento de combustíveis no Rio e em Minas Gerais, segundo sindicatos.

Transportadoras de combustíveis iniciaram uma paralisação em ao menos três estados nesta quinta-feira (21), em protesto contra os altos preços dos combustíveis no país. Os manifestantes bloquearam a entrada de bases de distribuição de combustíveis, impedindo o carregamento dos produtos.

Em Minas Gerais, um dos estados afetados, já há notícias de falta de produtos em alguns postos que estavam sem estoque, disse o Minaspetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais).

No Rio de Janeiro, o Sindicomb (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes) disse que pode ocorrer o mesmo, caso a paralisação seja mantida por mais tempo, já que os postos estão trabalhando com estoques reduzidos.

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) disse está monitorando o movimento e que acompanhamento junto ao setor "não indica falta de combustível, até o momento". "Caso os riscos se acentuem, a ANP adotará as medidas cabíveis para minimizar os impactos no abastecimento", afirmou.

Segundo o Sindtanque-MG (Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais), a paralisação foi iniciada ainda de madrugada e teria adesão também no Espírito Santo --- embora o sindicato de postos capixaba diga que não tem informações sobre o caso.

Em Minas, diz o Sindtanque-MG, cerca de 1.500 caminhões aderiram ao movimento, que começou no início da manhã com concentrações nas bases da Vibra (antiga BR Distribuidora), Shell, Ipiranga e Ale.

"Não aguentamos mais as altas dos combustíveis. O diesel representa hoje quase 70% do custo do frete. As transportadoras estão quebrando", diz o presidente da entidade, Irani Gomes. "Enquanto o governo não der uma satisfação para a categoria, a categoria não vai voltar a trabalhar."

Os transportadores mineiros pedem redução na alíquota do ICMS no estado de 15% para 12% e pressiona também por encontros com o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), e com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

No Rio, o Sindicomb diz que as distribuidoras próximas à Refinaria de Duque de Caxias fecharam as portas para evitar tumultos e depredações depois que os tanqueiros passaram a impedir a entrada de caminhões.

As distribuidoras informaram ao Sindcomb que tentavam retomar os carregamentos até o início da tarde. "Os postos do Rio seguem aguardando a normalização das entregas para poderem atender a sua clientela até o fim de semana", afirmou o sindicato.

"Como os postos trabalham com estoques reduzidos em função da queda nas vendas a partir da pandemia da Covid-19, poderá haver problemas pontuais de abastecimento na cidade do Rio de Janeiro, caso o bloqueio dos caminhoneiros perdure pelas próximas horas", completou a entidade, no fim do dia.

"O Minaspetro acredita que em um momento de forte instabilidade, em que a população já sofre com altos preços e desemprego por causa dos efeitos da pandemia, a realização de greve não é o caminho ideal para a solução do problema", disse o sindicato mineiro.

Representante das maiores distribuidoras do país, o IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás) disse que está acompanhando a movimentação e pediu atuação das autoridades responsáveis para o reestabelecimento das operações.

"O IBP entende que as manifestações, ainda que legítimas, devem ocorrer sem que haja impactos no abastecimento de combustíveis à sociedade", afirmou, em nota.

Segundo o Sindtanque-MG, não há data para o fim da paralisação. A entidade representa empresas de transporte de carga e não trabalhadores do setor. A participação de empresários na greve dos caminhoneiros que parou o país em 2018 chegou a ser investigada pela Polícia Federal.

Ainda não há sinais de adesão dos caminhoneiros à paralisação das transportadoras. Essa categoria vem se reunindo mensalmente para analisar a situação e ameaça parar no dia 1º de novembro, caso o governo não atenda suas demandas.

Na semana passada, o preço médio do diesel no país bateu R$ 4,976 por litro, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis). Em Rondônia e no Acre, já é possível encontrar o produto a mais de R$ 6 por litro.

A escalada dos preços dos combustíveis é um dos principais fatores de pressão sobre a inflação brasileira, que em setembro acelerou para 1,16%, a maior alta para o mês desde o início do Plano Real, quebrando a barreira simbólica dos dois dígitos no acumulado de 12 meses.

Para tentar reverter os impactos dos aumentos sobre sua popularidade, o presidente Jair Bolsonaro vem colocando o tema como principal prioridade do seu governo, com apoio do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).

Na semana passada, a Câmara aprovou projeto de lei que altera as regras de cobrança do ICMS, imposto estadual que vem sendo apontado erroneamente pelo governo como principal causa dos aumentos dos preços dos combustíveis.

Criticado por governadores e especialistas, o projeto promete reduzir em 7% o preço da gasolina. Os estados alegam que perderão R$ 24 bilhões por ano com a nova fórmula, que segundo eles não resolveria o problema da alta de preços.

Pelo contrário, os preços dos combustíveis permanecem pressionados pela recuperação das cotações do petróleo e pela alta do dólar, que chegou a bater R$ 5,67 nesta quinta, depois que o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu licença para furar o teto de gastos.
Fonte: Folha de S. Paulo
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