Este site utiliza cookies para garantir que você obtenha a melhor experiência. Ao continuar navegando
você concorda com nossa política de privacidade. Política de Privacidade

Facebook
Instagram
Linkedin
Twitter
Youtube
Fale Conosco
Fraca demanda mundial derruba preços do açúcar para o menor patamar em 1 mês
Publicado em 13/09/2021 às 08h04
Foto Notícia
A demanda mundial fraca aliada a uma liquidação de posições por parte dos fundos fez com que o açúcar fechasse a sexta-feira (10) em forte baixa nas bolsas internacionais. Na ICE, de Nova York, a commodity atingiu a menor cotação em mais de 30 dias.

No vencimento outubro/21 da ICE, o açúcar bruto encerrou a sexta-feira contratado a 18,79 centavos de dólar por libra-peso, 45 pontos, ou 2,3%, a menos que os preços da véspera. Já a tela março/22 derreteu 41 pontos, negociada a 19,51 cts/lb. Os demais contratos fecharam no vermelho entre 13 e 35 pontos.

Segundo operadores ouvidos pela Reuters, o açúcar parece ter perdido a força que tinha em julho e agosto, com a demanda caindo com o aumento das taxas de frete e com a baixa produção no principal produtor, Brasil, já precificada. "Esses fatores levaram os fundos a registrarem lucros, reduzindo sua posição líquida comprada".

"Os fundos estão vendendo no mercado desde o início desta manhã (sexta-feira). Não parece estar parando, e o anúncio da Unica, pelo menos por enquanto, restringiu a venda ou compensou isso", disse um corretor aos analistas da Reuters, que destacou, ainda, que a Unica mostrou que a produção de açúcar do centro-sul do Brasil cresceu 0,7% no final de agosto, "mas disse que a safra vai terminar antes, já em outubro".

Açúcar branco

Em Londres o açúcar branco também fechou em baixa em todos os vencimentos na última sexta-feira. Os contratos com vencimento outubro/21 foram comercializados a US$ 464,50 a tonelada, recuo de 10,60 dólares no comparativo com a véspera. Já a tela dezembro/21 recuou 9,60 dólares, contratada a US$ 487,60 a tonelada. Os demais lotes recuaram entre 3,90 e 10 dólares.

Açúcar cristal

No mercado doméstico a sexta-feira também foi de baixa nas cotações do açúcar cristal medidas pelo Indicador Cepea/Esalq, da USP. A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 140,09, contra R$ 140,65 da véspera, recuo de 0,40% no comparativo entre os dias.

Análise
Em seu artigo semanal que analisa o mercado de açúcar o diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa destacou que o preço do açúcar em NY sofreu enorme queda nos contratos futuros com vencimentos mais curtos, indicando que os fundos realizaram lucros liquidando uma parcela das posições compradas, e que -- pela pressão observada também no spread outubro/21-março/22 -- os detentores de posições compradas de açúcar no mercado físico não têm interesse em ficar com o açúcar (sem destino?) e devem contribuir para uma entrega volumosa do produto na expiração do contrato outubro/21 que ocorre em 3 semanas. Dependendo do volume, a contaminação nas cotações que vencem em seguida é inevitável.

"Os fundos, pelos números publicados pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission), agência independente do governo dos Estados Unidos, que regula os mercados de futuros e opções das commodities, com base na terça-feira, reduziram a posição em 7,150 lotes, mas com a queda de sexta-feira, esse número certamente foi bem maior", destacou.

Ainda segundo Corrêa, a Unica publicou a moagem acumulada no Centro-Sul até 01 de setembro. Foram 392.6 milhões de toneladas de cana. Nos últimos cinco anos, o acumulado nesse período acabou representando na média 66.9% de toda a cana moída no respectivo ano, variando entre 64 e 69%. Se usarmos a média histórica e assumirmos que a quebra este ano estará em torno de 8%, então é razoável supor que a produção máxima será de 540 milhões de toneladas de cana. É o que parece deva ser o número final.

"Não há mais influência dos números de safra a serem publicados pela Unica. O mercado já absorveu e apreçou uma safra de cana reduzida e mesmo que esse número afunde para 525 milhões de toneladas de cana, dificilmente NY prestará muita atenção a ele. Está dado. O mercado já absorveu. Para manter o mercado em níveis mais altos outras histórias precisarão ser contadas para que mantenham a narrativa altista. No entanto, caso o número melhore até o final da safra para -- digamos -- acima dos 540 milhões de toneladas, aí a reação adversa poderá ser maior. Na nossa visão, o mercado começa a pesar", argumentou o diretor da Archer.

"Não nos enganemos: os fundamentos do mercado para o médio e longo prazo são positivos como temos falado aqui há muitas semanas. No entanto, há uma clara dicotomia entre o que ocorre no mercado futuro, alimentado pelos fundos, pela impossibilidade de novas fixações de preços por parte das usinas e pela paralisação - ainda que de maneira sutil -- por parte das casas comerciais provocada pelas chamadas de margem, e a realidade do mercado físico que é de estagnação", destacou, ainda, Arnaldo Luiz Corrêa.
Rogerio Mian
Fonte: Agência UDOP de Notícias
Copyright© 2008 - UDOP.
Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.
Mais Lidas