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Maior trading de açúcar do mundo projeta dois anos de déficit
Publicado em 06/01/2021 às 09h05
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A maior trading de açúcar do mundo projeta déficit de dois anos da commodity no mercado global, o cenário mais "construtivo" desde 2016.

A Alvean, uma joint venture entre Cargill e Copersucar, calcula que a produção de açúcar ficará abaixo da demanda em 5 milhões de toneladas nesta safra, disse o diretor-presidente da empresa, Paulo Roberto de Souza, em entrevista por telefone na segunda-feira. Esse déficit será seguido por outro de 6 milhões de toneladas em 2021-22, disse.

A Tailândia enfrenta uma safra ruim, a produção da Europa diminuiu e o Brasil deve produzir menos açúcar depois que a seca no ano passado prejudicou o desenvolvimento da cana.

Com todos esses fatores, o mundo dependerá do açúcar da Índia, onde a produção está crescendo, embora o subsídio às exportações aprovado em dezembro pelo governo tenha sido menor do que o esperado pelas tradings.


O subsídio da Índia levou a um rali em Nova York. Os contratos futuros subiram 15% no ano passado, a maior alta desde 2016, e o primeiro dia de negociação em 2021 estendeu os ganhos para o maior nível desde maio de 2017, impulsionados por um dólar mais fraco.


De Souza, que comanda a joint venture desde 2019, disse que a empresa é "construtiva" em relação aos preços não apenas por causa dos fatores macroeconômicos, mas também devido aos fundamentos. "O mundo precisa do açúcar da Índia", afirmou.

Com o clima seco na Tailândia, tipicamente o segundo maior exportador, a safra novamente foi pequena, disse, e qualquer recuperação para a próxima temporada provavelmente será limitada, pois alguns produtores já migraram para outras culturas.

No Brasil, maior exportador, o clima seco e incêndios frearam o desenvolvimento da cana. A produção da safra que começa em abril deve cair 4,1%, para 580 milhões de toneladas no Centro-Sul, a principal região produtora, segundo estimativa da Alvean. A produção de açúcar deverá diminuir em 3 milhões de toneladas, para 35 milhões.

O mercado de açúcar contava com 6 milhões de toneladas de exportações indianas, a uma taxa de subsídio próxima ao nível do ano anterior, de cerca de US$ 140 a tonelada.

A ajuda anunciada pela Índia foi de cerca de US$ 80 por tonelada, o que significa que os futuros precisam ficar mais próximos a 15 centavos de dólar, a paridade ou nível em que as exportações se tornam lucrativas para as usinas indianas, segundo relatório da Green Pool Commodity Specialists.

Segundo De Souza, para a Índia exportar, os preços têm que subir e ficar em alta cerca de "três, quatro meses", acrescentando que o mercado teria que pagar mais em razão da paridade da exportação indiana.

Os preços do açúcar ultrapassaram 16 centavos de dólar por libra-peso na segunda-feira pela primeira vez desde 2017.

As commodities se valorizam com a maior demanda dos investidores pela classe de ativos e queda do dólar. Especuladores, excluindo fundos de índice, aumentaram as apostas nos preços mais altos do açúcar em mais de seis vezes no ano passado.

Os preços sofreram pressão nos últimos três anos ao refletir enormes superávits globais enquanto a União Europeia aumentava a oferta após abolir as cotas que limitavam a produção. Desde então, a produção diminuiu e é improvável que o bloco volte a buscar ser um exportador estrutural, disse de Souza.

O mercado de açúcar ainda pode enfrentar obstáculos com outra onda de lockdowns que poderiam afetar o consumo, ou se os fundos decidirem vender a grande posição comprada, disse de Souza. Por outro lado, um novo choque climático ou alta dos preços do petróleo -- o que aumentaria o incentivo para usinas brasileiras produzirem etanol em vez do açúcar -- poderia elevar as cotações.
Fonte: Bloomberg
Texto extraído do Portal Money Times
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