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Frenesi
Publicado em 26/10/2020 às 09h18
O mercado futuro de açúcar em NY fechou na sexta-feira com o vencimento março/2021 cotado a 14.72 centavos de dólar por libra-peso depois de ter se aproximado dos 15 centavos de dólar por libra-peso sem conseguir tocá-lo.

Na semana, a valorização acumulada foi de 6.60 dólares por tonelada para o mencionado vencimento e um pouco menos para os meses que compõem a safra 21/22 do Centro-Sul (maio, julho e outubro de 2021 e março de 2022) cujo avanço na semana foi de 3.40 dólares por tonelada em média. Interessante notar que para a safra 22/23 a variação positiva na semana foi de 6.60 dólares por tonelada também.

Os valores em reais por tonelada tiveram pequena queda de R$ 18 em função da valorização do real frente ao dólar na semana, que fechou a R$ 5.6185 contra R$ 5.6832 na semana anterior.

A palavra frenesi é descrita no dicionário como uma "exaltação violenta capaz de fazer com que alguém perca a razão". As manchetes das agências noticiosas durante a semana que passou carregavam uma boa dose dessa euforia em relação ao mercado de açúcar. Podemos resumir uma dessas manchetes provocativas com uma simples questão: os fundos compram porque o mercado pode subir mais ou o mercado sobe mais porque os fundos compram? De repente, todo mundo ficou altista.

Só para lembrar, quando o mercado de açúcar negociava pouco mais de 20 centavos de dólar por libra-peso em 2016, o gestor de um fundo asiático afirmava com a convicção que só os idiotas possuem que NY alcançaria 60 centavos de dólar por libra-peso. O resto da história nós todos sabemos qual foi.

Para alguns analistas as usinas estão fixadas em 60%. Também acredito que estejam, pelo menos 40% delas (as mais saudáveis financeiramente e com uma política de risco adequada). E as outras 60%? Aquelas cujo rating de crédito é zero. As tradings, como se sabe, vão liberando as fixações para as usinas de acordo com o limite de crédito individual. Algumas podem fixar até 18 meses antes do embarque, outras tem 12 meses, até aquelas que só podem fixar apenas quando o açúcar estiver em posse da trading. Se 40% estão fixadas 60%, as outras 60% na melhor das hipóteses estariam fixadas quanto? 25%? Se você tem outras ideias, por favor divida com a gente no e-mail arnaldo@archerconsulting.com.br

Longe de querer ser um descrente ou desqualificar a opinião de terceiros, prefiro questionar e provocar uma discussão desapaixonada sobre os rumos que o mercado de açúcar poderá tomar no próximo ano. Alguns analistas apontam, por exemplo, para uma produção de açúcar para a safra 2021/2022 de 36 milhões de toneladas no Centro-Sul. Para que tamanha redução na produção de açúcar seja concebível, assumindo que o ano que vem o modo max-sugar vai continuar ligado, precisaríamos ter um cenário que apontasse uma redução da ordem de 4.5% seja na produção de cana ou da ATR, ou uma combinação das duas. Será possível?

Enquanto o subsidio indiano não vem, os fundos aumentam a posição comprada em quase 8.000 lotes e agora já ostentam 252,000 contratos comprados equivalente a 13.8 milhões de toneladas de açúcar. O roteiro e a narrativa de um mercado extremamente altista estão desenhados. O spread março/maio valorizou 3 dólares por tonelada na semana. O hidratado negocia com 350 pontos de desconto contra o açúcar de NY.

Continuamos sugerindo a fixação de preços em reais por tonelada e a compra concomitante de uma call (opção de compra) out-of-the-money (opções fora-do-dinheiro) uns 200 pontos acima do mercado no momento da fixação. O custo está em torno de R$ 60 por tonelada se optar por comprar uma call 200 pontos acima. Se optar por simplesmente comprar uma call de preço de exercício 16 centavos de dólar por libra-peso para os quatro vencimentos, o custo cai para R$ 48 por tonelada.
Arnaldo Luiz Corrêa
Diretor da Archer Consulting
Fonte: Archer Consulting
Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não representando,
necessariamente, a opinião e os valores defendidos pela UDOP.
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