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Usinas dão prioridade à fabricação de açúcar
Publicado em 16/10/2020 às 06h58
Apesar das dificuldades logísticas nos portos, com severa redução do pessoal e longas filas de espera para carregamento, a desvalorização do real frente ao dólar manteve o açúcar altamente competitivo e atraente no mercado externo. Para minimizar os impactos da dupla crise de preços e volume que atinge o mercado de biocombustíveis, as usinas sucroalcooleiras apostaram boa parte de sua capacidade de produção no açúcar e intensificaram as vendas da commodity ao mercado internacional.

A estratégia foi bem sucedida. Em 2019, o país embarcou 17,8 milhões de toneladas do produto. Agora, apenas nos primeiros oito meses, já foram despejados no mercado externo um volume ligeiramente superior: 17,9 milhões de toneladas. Se comparados aos primeiros oito meses deste ano, o incremento chega a 64%. Apenas em agosto, o aumento foi de 118,8% sobre igual mês de 2019.

O crescimento da produção de açúcar sobre o álcool continua. Os últimos dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), mostram elevação de 35,43% para 47% do volume de cana de açúcar processada para a fabricação de açúcar. No acumulado da safra, o processamento alcançou 499,77 milhões de toneladas, 5,3% a mais do que no mesmo período da safra passada. O avanço da moagem, segundo Evandro Gussi, presidente da Unica, se deu em função da aceleração do processo de colheita, favorecendo a operacionalização.

"O clima mais seco traz algumas dificuldades para a produtividade, mas também contribui para maior velocidade da colheita, o que explica o incremento de 5,3%", relata. A produção da commodity desde o início da safra até o mês de setembro já está em 31,950 milhões de toneladas, alta de 46,23%, ou de 10 milhões de toneladas. "Do aumento total, cerca de 7,40 milhões derivam da mudança do mix de produção e os outros 2,70 milhões resultam do avanço da moagem e da melhor qualidade da matéria-prima colhida", afirma em nota Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Única.

Em junho, o Brasil voltou a ser o principal fornecedor do produto para o mercado chinês, com participação de 11% nos embarques, confirmando uma recuperação de mercado após quase três anos de turbulências. Argélia, Bangladesh, Indonésia e Índia foram outros países que importaram fortemente o açúcar brasileiro.

Felipe Vicchiato, diretor financeiro e de relações com investidores do Grupo São Martinho, diz que o mix produtivo adotado pela companhia deve permanecer mais açucareiro até o fim da temporada 2020/21, desde que os preços se mantenham nos patamares atuais. A mudança do mix também foi o caminho escolhido pela Adecoagro. Renato Junqueira Santos Pereira, diretor de açúcar, etanol e energia da companhia, diz que o alto nível de flexibilidade da empresa permitiu uma rápida mudança de cenário para mitigar os impactos da pandemia. "Alteramos o mix e elevamos a produção do açúcar em 57,3% no primeiro semestre em relação ao mesmo intervalo de 2019. Como os preços no mercado interno caíram, exportamos 88% da produção", afirma. Os principais destinos foram Canadá, União Europeia, Argélia, China, Geórgia e Arábia Saudita.

De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), os embarques de açúcar do Brasil deverão atingir um recorde de 32,02 milhões de toneladas neste safra 2020/21, alta de 66% em relação ao ano anterior.

A inclinação do setor para o açúcar provocou queda de 7,47% na fabricação de etanol com um volume de 23,446 bilhões de litros, dos quais 16,298 bilhões de litros de hidratado (que abastece diretamente os veículos) e 7,148 bilhões de litros de anidro (que é misturado à gasolina).
15/10/2020
Fonte: Valor Econômico
Texto extraído do boletim SCA
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