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Temporada 2020 de Monções se mostra forte na Ásia
Publicado em 04/08/2020 às 14h05
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Chuvas em excesso, acima da média histórica podem elevar recuperação da safra de cana 2020/21 aumentando produção de açúcar pressionando cotações internacionais

A atual temporada 2020 de chuvas de monção acima da média na Ásia tende a elevar as projeções de produção de açúcar já da próxima temporada 2020/21 para patamares superiores aos que já temos observado. Dados de satélites da NASA computados em mapas revelam o enorme acúmulo de água entre os dias primeiro de junho e 20 de julho sobre partes da Ásia, em particular no sul e leste da China, sul do Japão, na Índia, no Nepal, em Bangladesh e no oeste de Myanmar. O total de chuva superou mil milímetros nas áreas em vermelho mais escuro [mapa ao lado] nesta temporada 2020 das monções.

A expectativa da SAFRAS & Mercado é que a Índia tende a ter inicialmente uma recuperação do nível de 28 para 33 milhões de toneladas em sua oferta de açúcar na safra 2020/21 que começa agora em outubro, daqui há dois meses. Porém, como as monções estão muito fortes, acima da expectativa dos meteorologistas locais, níveis em direção a 35 milhões de toneladas podem ser observados até o fim da safra. Na Tailândia a recuperação do nível de 8 milhões de toneladas para 12 milhões entre as temporadas 2019/20 e 2020/21 tende a ser um pouco maior do que inicialmente estimada, com chances reais de os volumes finais da próxima safra chegarem a 13,5 milhões de toneladas.

Na China o cenário tende a ter um crescimento limitado, visto que não houve quebra na safra anterior, com os dados mais recentes em 10,7 milhões estimados podendo crescer até 10,9 milhões. Regiões inteiras da Índia, Paquistão e China têm sofrido com inundações recordes dado a forte intensidade da temporada 2020 das monções no país, fato que tem provocado até medidas emergenciais como a abertura das comportas da gigante hidrelétrica de Três Gargantas na China diante das cheias do lendário rio Yangtse.

As chuvas de monções da Ásia são as chuvas de verão, geralmente torrenciais e que têm um importante papel de reabastecer os rios e represas, mas todos os anos o excesso de água gera graves inundações e afeta milhares de pessoas na região. As recentes chuvas de meados de julho chamam atenção e já foram consideradas recordes deslocando milhares de pessoas no sul e leste da Ásia. Segundo a Organização meteorológica Mundial, muitas áreas do centro, norte e nordeste da Índia tiveram chuva acima do normal.

Segundo informações do painel global, surpreenderam as precipitações no estado indiano de Assam, que recebeu 889 milímetros no período entre junho e 22 de julho, cerca de 20% a mais que o normal. Somente na Índia e no Nepal, as inundações deixaram 4 milhões de desabrigados.

Partes do oeste do Japão também enfrentaram chuvas torrenciais três vezes acima da média em uma semana no começo de julho. As inundações e deslizamentos causaram o maior número de mortes relacionadas à chuva no Japão em 30 anos. O centro-sul e leste da China foram as áreas mais atingidas pelas monções. Dezenas de lagos e rios subiram e as inundações e deslizamentos são históricos.

As inundações na bacia do rio Yangtze que corta o leste da China deslocaram milhões de pessoas desde o início das chuvas de moções em junho. O rio Yangtze é o mais longo da Ásia e percorre 6.300 quilômetros em território chinês.

Ao longo do tempo, o rio Yangtze, seus afluentes e lagos passaram por um grande desenvolvimento para geração de energia, armazenamento de água e controle das inundações. Hoje, toda a bacia tem milhares de reservatórios e inúmeras represas.

O grande volume de água das monções por despejadas nos mais de 2 mil reservatórios, um deles atrás da barragem das Três Gargantas, na província de Hubei, parte central da China.

No intuito de regular o fluxo da água, os portões da barragem foram abertos, como mostram até mesmo imagens de satélite da NASA um mês após o início da temporada de chuvas.

A China teve até agora duas ondas de inundações severas com nível da água recorde no reservatório das Três Gargantas em 19 de julho. Segundo dados da barragem o nível da água atingiu 164,18 metros, superando a medição de 163,11 metros em 2012. O reservatório foi projetado para manter um nível máximo de água de 175 metros.
Maurício Muruci
Analista pela Safras & Mercado, atua há 12 anos em análise econômica e de mercados agrícolas. Graduando em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não representando,
necessariamente, a opinião e os valores defendidos pela UDOP.
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