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Abag usa CBios para compensar emissões
Publicado em 03/08/2020 às 10h20
A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) concluiu na sexta-feira a primeira operação de compra e aposentadoria de Créditos de Descarbonização (CBios) na B3 para neutralizar suas emissões de gases de efeito estufa. Foram comprados e retirados de circulação 55 CBios (cada um equivalente a 1 tonelada de carbono de emissão evitada com a substituição de combustíveis fósseis por renováveis). O preço médio ficou em R$ 22.

Com isso, a Abag conclui a compensação de suas emissões, algo inédito para um player que não é obrigado a participar do RenovaBio. O volume de CBios é pequeno porque está relacionado às atividades dos membros da associação, como viagens. O programa obriga apenas as distribuidoras a comprarem CBios para que atinjam metas de descarbonização.

"O CBio é patrimônio do agronegócio brasileiro. Estamos usando uma ferramenta do agro para fazer a mitigação", disse Marcello Brito, presidente da Abag. Ele espera que a inciativa incentive outras partes não obrigadas, como suas associadas, a comprar CBios.

Fazem parte de suas associadas grandes bancos como Itaú e Santander, multinacionais como Cargill e Bayer, e outras associações, como União Nacional da Bioenergia (Udop) e Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav).

A operação foi estruturada pela Block C, que opera com mercados de carbono usando blockchain e tem uma plataforma de operações para empresas que querem compensar emissões. A escrituração da compra foi realizada pela StoneX e a auditoria da neutralização, pela SGS Sustentabilidade.

A B3 iniciou a plataforma de negociação de CBios no fim de abril, mas os negócios estão lentos. Até sexta-feira, menos de 145 mil CBios tinham sido negociados. A meta para as distribuidoras deve ser ajustada para próximo de 14 milhões neste ano, conforme proposta do governo. "Após essa definição, acreditamos que o volume cresça significativamente", disse Fabio Zenaro, diretor de produtos de balcão, commodities e novos negócios da B3.

O valor médio das vendas de CBio está próximo de R$ 20, ou cerca de US$ 4, abaixo do que as usinas esperavam, em torno de US$ 10. Para o envolvimento de partes não obrigadas, porém, o valor atual pode ser alto. Na plataforma da ONU, por exemplo, uma tonelada de carbono chega a US$ 2, diz Carlos de Mathias, sócio da Block C.

Porém, ele avalia que o mercado de CBios pode ser mais robusto. "Não tem nada mais robusto que a análise de ciclo de vida do biocombustível brasileiro, com a vantagem do desmatamento ser proibido".
Fonte: Valor Econômico
Texto extraído do boletim SCA
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