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Compras agrícolas da China nos EUA ainda estão distantes de metas da Fase Um do Acordo
Publicado em 03/07/2020 às 17h26
Foto Notícia
As compras de produtos agrícolas da China no mercado dos Estados Unidos continuam acontecendo à conta-gotas e, de acordo com analistas internacionais, continuam sinalizando que poderiam não alcançar as metas definidas na fase um do acordo comercial entre os dois países. Segundo informações da agência de notícias Bloomberg, em maio, alguns volumes até foram bastante importantes para o montante total - principalmente de trigo, milho, algodão e carne de porco - porém, ainda precisam ser crescer.

O documento firmado em 15 de janeiro deste ano, determina as compras chinesas no mercado norte-americano em US$ 36,5 bilhões. Todavia, de acordo com o Peterson Institute of International Economics, ouvido pela agência internacional de notícias, com o ritmo em que as aquisições estão acontecendo, o total alcançado este ano deverá ser de ?´apenas?´ US$ 27 bilhões.

Os itens que mais cresceram entre as compras da nação asiática nos EUA foram o milho, o trigo e a carne suína. No entanto, a soja é o produto que ainda tem mais peso e valor nas exportações americanas para a China e, neste caso, as operações ainda se mostram mais lentas. Até maio, os chineses adquiriram 3,4 milhões de toneladas da oleaginosa americana, o que resultou em US$ 1,25 bilhão.

Ao contabilizar todas as vendas de produtos agrícolas dos EUA para a China, de janeiro a maio, a receita é de US$ 6,01 bilhões. Salvo 2019, este é o menor valor para o período desde o mesmo intervalo em 2009, segundo a especialistas em commodities agrícolas, Karen Braun.

"Mas a trajetória melhorou. Em abril, o total ficou ligeiramente acima da média, e maio foi o segundo mês mais forte", explica Karen, complementando com os gráficos a seguir.

Em maio, as maiores compras foram as de carne de porco, enquanto a soja ficou bem no final da lista, marcando suas mínimas desde dezembro de 2018. O reflexo desse movimento se deu com exportações recordes de soja no Brasil no mesmo período, e com os embarques nacionais superando 60 milhões de toneladas somente no primeiro semestre de 2020.

"Se me perguntar se a China cumprirá o acordo comercial da Fase Um, minha resposta é que sinceramente eu não sei. Neste momento, não acho que eles propositalmente não o façam, mas a cláusula "condições de mercado" é importante. Os EUA oferecem o melhor preço em mercadorias no valor para o total de US$ 36,5 bilhões. Tentar ?´adivinhar?´ a demanda chinesa neste momento é uma das coisas mais difíceis de se fazer agora. Ainda vemos toda essa soja indo do Brasil para a China e isso continua sendo uma preocupação para o programa norte-americano de exportação da oleaginosa", diz a especialista.

O importante agora é entender qual será o comportamento do país asiático nos próximos meses, principalmente com a soja da nova safra norte-americana.

No Brasil, afinal, a soja já está quase esgotada e a pouca oferta disponível neste segundo semestre está sendo disputada com a demanda interna. Em 2020, o Brasil deverá registrar exportações de soja em 79,5 milhões de toneladas, o segundo maior volume da história, como mostra a mais recente estimativa da Abiove (Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais).

"É um número impressionante e que pode ser reavaliado positivamente mediante o comportamento dos próximos meses", explica o gerente de economia da associação, Daniel Amaral, em entrevista ao Notícias Agrícolas.

Ainda segundo o executivo, esses números deverão resultar em ajustados estoques finais de soja brasileiros para 2020, o que sinaliza em uma demanda ainda maior pela soja nacional em 2021. O estimado pela associação é de que os estoques sejam de 669 mil toneladas, 79% menores do que no fim de 2019.
Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas
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