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USDA aponta superávit internacional de 10 milhões de toneladas
Publicado em 02/07/2020 às 17h11
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Os dados do primeiro relatório semestral de 2020 revertem indicação de forte déficit internacional da safra 2019/20 para um superávit em 2020/21

O primeiro relatório semestral de oferta e demanda mundial publicado pelo USDA trouxe importantes novidades ao mercado em termos fundamentais. Primeiramente, por ordem de capacidade impacto na formação de preços internacionais do Nova York, temos um forte shift no saldo de balanço entre a oferta e a demanda mundial da commodity entre as temporadas internacionais 2019/20 [que termina em setembro de 2020] e 2020/21 [que começa em outubro de 2020]

Da safra internacional atual para a próxima o cenário global de oferta e demanda de açúcar deve sair de um déficit de 5,40 milhões de toneladas para um superávit de 10,28 milhões de toneladas. A produção deve ter um grande salto de quase 22 milhões de toneladas enquanto a demanda mostra uma indicação de alta de apenas pouco mais de 6 milhões de toneladas.

O mercado deve se mostrar altamente produtivo por conta da Ásia e do Brasil. É claro que os dados deste recente relatório, publicado ainda ao final de maio, mas com impactos estendidos pelos próximos seis meses, levam em conta os efeitos da crise do Covid-19. É interessante também, embora pouco impactante sobre a formação dos preços em Nova York a esta altura do mercado, a elevação na expectativa de déficit da safra internacional 2019/20 que, ainda em novembro do ano passado, era estimada em pouco mais de 500 mil toneladas mas que, já no relatório de maio de 2020, foi elevada a 5,40 milhões de toneladas.

A SAFRAS & Mercado pretende atualizar individualmente cada um dos países definidos como os principais players internacionais ao longo dos próximos dias, abordando individualmente cada detalhe dos fundamentos do país e dos novos números. Em seu relatório o USDA destaca o forte crescimento na produção global, embora mostre ajustes negativos nos estoques [com os volumes iniciais recuando 9,55 milhões de toneladas e os finais 882 mil toneladas] indicando que o Brasil, a Índia e a Tailândia lideram os movimentos de elevação produtiva.

Olhando mais atentamente temos a indicação de uma produção de 188,07 milhões na safra 2020/21, que representa uma alta de 13,18%, ou 21,89 milhões de toneladas, sobre o volume da safra internacional 2019/20 que fora de 166,17 milhões de toneladas. Pelo lado da demanda interna temos um crescimento de 3,62%, ou 6,21 milhões de toneladas, com o volume saindo de 171,58 para 177,79 milhões de toneladas entre a temporada 2019/20 e a 2020/21. Com isto o saldo do balanço entre a oferta e a demanda tende a se mostrar superavitário em 10,28 milhões de toneladas, indicando uma alta de 290,27%, ou 15,68 milhões de toneladas, sobre o déficit de 5,40 milhões de toneladas calculados sobre a temporada 2019/20.

Neste meio tempo os estoques finais da safra 2020/21 tendem a ficar em 43,55 milhões de toneladas, com um recuo de 882 mil toneladas entre a safra 2019/20 e a 2020/21, com uma queda de 1,99%. Esta queda nos estoques finais e a alta na demanda interna em relação a safra passada devem conduzir a relação Estoque/Consumo para a faixa de 24,50%, com queda de 1,40 pontos porcentuais sobre o nível da safra anterior que fora de 25,90%. Com isto o índice entre a capacidade de atendimento da demanda por parte dos estoques finais da safra se distancia mais uma vez do nível recorde das últimas dez safras que fora de 30,10% na temporada 2017/18.

As exportações totais ao fim da temporada 2020/21 deverão oscilar em 65,22 milhões de toneladas, apontando para uma alta acentuada de 20,52% sobre o volume de 54,12 milhões de toneladas da safra passada, o que significa um crescimento de 11,10 milhões de toneladas no fluxo internacional de comércio da commodity. Pelo lado das importações também vemos um decrescimento, porém bem menos elevado do que o visto nas exportações, na faixa de 6,65%, ou 3,37 milhões de toneladas, com os desembarques internacionais avançando de 50,71 para 54,08 milhões de toneladas. Por fim os estoques iniciais devem apresentar um forte recuo de 9,55 milhões de toneladas, ou, -17,69% ao sair de 53,98 para 44,43 milhões de toneladas entre as safras 2019/20 e 2020/21.
Mauricio Murici
Analista pela Safras & Mercado, atua há 12 anos em análise econômica e de mercados agrícolas. Graduando em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não representando,
necessariamente, a opinião e os valores defendidos pela UDOP.
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