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Flexibilidade das usinas pode garantir maior equilíbrio financeiro
Publicado em 26/05/2020 às 14h19
A possibilidade de mudança rápida do mix de produção das empresas do setor sucroenergético é a chave que pode garantir um maior equilíbrio financeiro nesta safra e nos próximos anos, pós-covid. Esse foi o destaque da LIVE MPRado e Notícias Agrícolas - Os Desafios do Setor Surcoalcooleiro, com a participação do presidente da SIAMIG, Mário Campos, dos CEOS Carlos Eduardo Santos (CMAA), Gabriel Feres (Bioenergética Aroeira) -- associados à SIAMIG -- e Mateus Costa, analista de Mercado da INTL FCStone.

Foi ressaltada a flexibilidade das usinas que no momento tem previsão de maior produção de açúcar, com a redução da demanda do etanol, e diante da condição de fixação de contrato do adoçante a longo prazo, com melhor garantia da manutenção dos negócios. Foi destacado, também, que esse mercado tem boas perspectivas para o país, diante das dificuldades enfrentadas por outros grandes produtores como a China e Tailândia.

Os empresários falaram, também, da importância dos protocolos de segurança adotados pelas empresas, com foco nos Recursos Humanos, para se obter o máximo de segurança possível na realização das atividades e ultrapassar esse período de Covid-19, até que a vida possa voltar ao normal.
Abaixo alguns pontos destacados, veja AQUI a íntegra

Carlos Eduardo (CMAA) -- A moagem de cana tem tido uma performance normal, com bom ATR e o desafio foi o isolamento social em função do Covid-19, causando problema de demanda de etanol e preço. Havia uma promessa de uma safra boa, com prefixação satisfatória do preço de açúcar, que enxugaria o mercado de etanol e poderia conseguir um preço melhor para esse produto também. A empresa tem uma estratégia clara de fluxo de caixa e pretende estocar etanol para venda no segundo semestre. Tem o foco no RH, para que os funcionários trabalhem com o máximo de segurança possível, espera que esse período passe logo para que a vida possa voltar ao normal.

Gabriel Feres (Bioenergética Aroeira) -- A safra está boa do ponto de vista operacional, com nível de ATR alto, e a queda da demanda do etanol foi o principal ponto. Há 40 dias o setor estava muito preocupado, não sabia quando poderia acontecer a flexibilização do isolamento e hoje já tem um cenário melhor. Há uma recuperação da demanda por etanol nos últimos dias, o preço ainda não é o esperado. Mas o ponto positivo é o câmbio que ajudou a elevar o preço das commodities não só do açúcar, compensando um pouco a queda do preço do etanol.

Mário Campos (SIAMIG) --A SIAMIG tinha a preocupação inicial de garantir a tranquilidade da operação e trabalhou para manter a essencialidade do setor. Depois entrou na fase da solidariedade e o setor doou uma grande quantidade de álcool 70 para a população, o que ajudou com que o estado revertesse mais de R$ 100 milhões em doações de álcool 70, aquisição de respiradores, leitos etc. O segundo foi mostrar para o governo que, além do Covid-19, o setor estava enfrentando um choque do preço do petróleo. O setor tentou negociar com o governo federal uma série de possibilidades para ajudar o setor a passar pela crise, o que seria também ajudar o país, com menos impacto na economia. O setor não conseguiu nenhum tipo de decisão, mas o mercado vai dando sua resposta com a recuperação do preço do petróleo e está agora trabalhando para o que chama de retorno consciente. Está ocorrendo o retorno da atividade econômica e as vendas de etanol retornaram não no patamar anterior ao covid, mas com uma perspectiva melhor.

Mateus Costa (FCStone) - O mercado vem precificando risco de escoamento de açúcar, temeroso de que o país não consiga escoar de uma forma normal o produto para o mercado internacional. O grande ponto é que tem preocupação quanto a dificuldade de os navios atracarem e disponibilidade de mão-de-obra. Já vê uma retomada de vendas melhor para o etanol, mas acha inevitável trazer para as discussões a possibilidade de uma segunda onda de contágio e considerar essa possibilidade, especialmente, se considerar que o número de casos e mortes vem crescendo no país. O mercado está olhando para as perspectivas internacionais de produção na Índia e Tailândia no próximo ano, e é preciso entender o contexto internacional. Com a entrada da próxima safra internacional este ano em outubro, o país poderá continuar a ser o principal player de exportação do produto.

Mário Campos (SIAMIG) -- O setor tem capacidade de mix muito interessante e isso só cresceu, nos últimos anos. Por exemplo, o ano de 2017 foi bom para açúcar e, naquele tempo, MG fez a maior safra de açúcar da história. Nos dois anos consecutivos, porém, houve investimento para aumentar a capacidade de produção de etanol e o setor fez as maiores produções de etanol do estado, com praticamente a mesma quantidade de cana-de-açúcar. Essa capacidade tem que ser levada em conta neste momento. Então, a capacidade de produzir mais açúcar pode enxugar um pouco o etanol, mas isso, também, pode mudar durante a safra. O aumento da produção de etanol dos últimos aos aumentou a capacidade de estocagem das empresas e pode empurrar essa oferta para frente. Uma segunda onda da Covid pode atrapalhar, mas a sociedade hoje está mais preparada e acredita na ciência que vai ter uma solução mais rápida.

Mateus Costa (FCStone) - Em termos de perspectivas vejo quatro pontos importantes. A China retirou a salvaguarda e tem produto menos competitivo que o brasileiro, em paralelo tem dificuldade de incentivar a produção de açúcar e para o ano safra indica redução nos estoques, e pode se tornar um consumidor importante para o mercado brasileiro. Tem também a Tailândia, que deverá reduzir o volume para o mercado internacional, que está com aperto de oferta e demanda interna e deve continuar reduzindo a produção devido as condições climáticas. A Índia sinaliza a retomada da produção de açúcar a partir de outubro e tem a incerteza acerca da possibilidade de escoamento, pensando que essas exportações são subsidiadas. O último ponto é em termos de México, que direcionou um volume grande para o mercado internacional, mas os EUA vão retomando a economias e o México vai voltar a atender esse país. A conjunção desses fatores reforça que o Brasil continue com uma origem importante para o setor açucareiro. O etanol de milho é bastante importante e para este ano diversas empresas que pretendiam implementar vários projetos deram uma pausa, porque o momento pode tornar esses investimentos arriscados, mas essa produção tem uma tendência de crescimento este ano, distinta da do etanol de cana, que deve recuar, comparado com as outras safras.
Fonte: Siamig - MG
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