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Velhos desafios e novas variveis  

13/03/2019 - amplamente conhecida a trajetria absolutamente atpica vivenciada pelo setor sucroenergtico nos ltimos 15 anos. Esse movimento foi caracterizado por um perodo de intenso investimento a partir dos anos 2000, com a ampliao da capacidade produtiva e a construo de dezenas de novas unidades no Brasil, sucedido por uma das maiores crises vivenciadas pela indstria canavieira.

A mudana de trajetria foi marcada pelos efeitos da crise financeira mundial, pelo aumento nos custos de produo do etanol e, especialmente, pela poltica de controle de preos e desonerao tributria praticada para a gasolina no mercado domstico. Nesse mesmo perodo, talvez de forma menos perceptvel para aqueles que no esto envolvidos com essa indstria, houve uma transformao profunda no sistema de produo agrcola.

Alm do avano da oferta em reas no tradicionais, os problemas trabalhistas associados ao corte manual da cana-de-acar e a exigncia do fim do emprego do fogo como mtodo de despalha promoveram um rpido avano na mecanizao da colheita, com repercusso em inmeras operaes no campo.

O uso das colhedoras imps uma nova curva de aprendizagem ao setor ao suscitar alteraes importantes no plantio, nos sistemas de conservao de solo, no controle de pragas e de doenas da lavoura, entre outros. Essas mudanas no sistema de produo e a situao financeira preocupante de muitas unidades produtoras, com restrio severa manuteno dos investimentos na produo, repercutiram na deteriorao dos ndices de produtividade, de rendimento e de custos observados no perodo recente.

Nos ltimos cinco anos, por exemplo, a produtividade agrcola da rea colhida atingiu cerca de 76 toneladas por hectare, ante um potencial histrico de 85 toneladas. Nesse contexto, evidente que o restabelecimento da eficincia produtiva deve ser prioridade na gesto das empresas. As alteraes recentes no mercado de combustveis e no arcabouo institucional relacionado ao setor, entretanto, tambm trouxeram elementos adicionais que merecem ateno dos gestores da cadeia sucroenergtica.

A primeira mudana remete aos novos fundamentos trazidos ao mercado de etanol pela recente poltica de preos praticada domesticamente para a gasolina. Reinvindicao antiga dos agentes que atuam no setor de combustveis, a lgica de precificao, alinhada s condies observadas no mercado internacional, reduz o risco de preo decorrente de incertezas e de intervenes polticas e regulatrias no valor interno do derivado.

Essa nova dimenso deve exigir das indstrias de cana-de-acar maior capacidade de entendimento da dinmica do mercado mundial de petrleo, na definio da melhor estratgia produtiva e comercial. Trata-se de uma condio nova para os gestores, a comear pela prpria sazonalidade dos produtos, que influencia a estratgia de comercializao e armazenagem ao retratar preos mais elevados para o etanol no incio do ano (perodo de entressafra no Centro-Sul) e valores apreciados para o petrleo no pico de moagem de cana-de-acar (perodo de frias no hemisfrio Norte, tambm conhecido como dry season).

A sustentao dessa lgica de mercado na precificao da gasolina cria opo, ainda que de maneira indireta, para o uso de instrumentos financeiros, opes de hedge e estratgias de preo futuro j utilizados pelas usinas no mercado de acar. Ela tambm acentua a vantagem competitiva da indstria nacional decorrente da possibilidade de alterao do mix de produo, estabelecendo mudanas, mesmo que limitadas, na proporo de cana-de-acar direcionada aos diferentes produtos e mercados atendidos por essa indstria.

Na atual safra, por exemplo, se observou uma reduo de quase 10 milhes de toneladas na produo de acar, que foram convertidas em mais de 6 bilhes de litros de etanol. Essa flexibilidade das empresas, associada dinmica diferenciada nos preos da gasolina e do acar, evitou uma perda de receita estimada em R$ 2 bilhes. A segunda mudana que deve permear a gesto das empresas nos prximos meses remete implementao da Poltica Nacional de Biocombustveis (RenovaBio).

O referido programa estabelece um engenhoso mecanismo de valorizao do potencial de descarbonizao dos biocombustveis, que corresponde s emisses de gases de efeito estufa (GEE), evitadas na substituio do derivado fssil pelo combustvel renovvel. Aos produtores que participarem da iniciativa, ser concedida a oportunidade de emisso de um ttulo de descarbonizao, conhecido como CBIO (Crdito de Descarbonizao por Biocombustvel).

Especificamente, o nmero de CBIOs emitidos por cada produtor depender do volume de etanol vendido e da sua nota de eficincia energtico-ambiental. Assim, usinas e destilarias mais eficientes, sob o ponto de vista ambiental, podero emitir uma maior quantidade de CBIOs por volume de biocombustvel comercializado. Quanto maior a capacidade de descarbonizao do renovvel fabricado, maior o nmero de ttulos emitidos.

Com repercusses evidentes sobre o ambiente de negcios, o mecanismo valoriza ganhos de eficincia ambiental do lado do produtor, induzindo investimentos em novas prticas e o emprego de tecnologias ou infraestrutura redutoras de emisses. Portanto, alm da mensurar os tradicionais ganhos econmicos, os gestores das empresas precisaro incorporar essa nova varivel relacionada reduo de emisso de GEE na avaliao de seus projetos.

O primeiro movimento nessa linha deve ocorrer ainda em 2019 e remete necessidade de certificao das unidades produtoras que pretendem participar do programa e auferir os benefcios da comercializao dos CBIOs. As regras para a certificao j foram publicadas na Resoluo ANP n 758/2018 e, em um primeiro momento, devem demandar esforo das empresas para reunir informaes, consolidar documentos, aperfeioar os controles, mapear seus fornecedores e identificar oportunidades de melhorias para a ampliao da sua nota de eficincia energtico-ambiental.

nesse contexto complexo que a diferena entre a gesto ideal e aquela possvel se faz presente, diante das restries financeiras em vrias unidades produtoras, em funo de reminiscncias da crise vivenciada pela indstria.

bvio que no existe uma soluo nica e genrica para ampliar a eficincia produtiva e aproveitar essas novas oportunidades vislumbradas para o setor. A reverso desse quadro depende das peculiaridades e da condio de cada produtor e exigir inventividade, conhecimento e empenho dos gestores e dos colaboradores nos mais diferentes nveis hierrquicos. Felizmente, o potencial de retomada eficiente da capacidade produtiva dessa indstria evidente diante dos avanos observados no gerenciamento dos recursos disponveis e da perspectiva de novas tecnologias.

Alguns exemplos nessa linha passam pelo lanamento de variedades mais adaptadas ao sistema produtivo, inclusive com o uso de transgenia; pela adoo de novas ferramentas de agricultura de preciso e de inteligncia artificial; pelo emprego de novas tecnologias de plantio, como o uso de mudas pr-brotadas e a sinalizao de ruptura tecnolgica diante do desenvolvimento da semente artificial de cana-de-acar; pela maior importncia de treinamento e de desenvolvimento de capital humano; e pela fabricao de novos produtos, como o biogs e o biometano.

Ao longo de sua histria, a indstria sucroenergtica passou por transformaes importantes e, em todas elas, mostrou enorme capacidade de resposta com ampliao da produo e da reduo nos preos pagos pelos consumidores (vide grfico). Essa habilidade para superar e se adaptar aos novos desafios fundamental na garantia de um caminho menos tortuoso para consolidar a cana-de-acar como fonte de alimentos e de energia limpa e competitiva.

Coautor: Jos Guilherme de Oliveira Belon, Analista econmico na Unica

*Texto originalmente publicado na revista Opinies ed. Fev-Abr 2019 - 59.

Luciano Rodrigues
Gerente de Economia e Anlise Setorial da Unica
Os artigos assinados so de responsabilidade de seus autores, no representando,
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