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Os nossos ltimos 10 anos  

12/03/2019 - Os ltimos 10 anos do setor sucroenergtico e do Brasil foram realmente turbulentos. Inmeras usinas e empresas tradicionais foram impactadas pela falta de polticas pblicas e regras claras para os setores de energia e combustveis. Mesmo assim, o setor, mais uma vez, mostrou a sua resilincia e criatividade. Novos produtos e novos mercados foram criados.

A diversificao da indstria sucroenergtica brasileira certamente o grande diferencial em relao a outros pases produtores. A parte energtica do setor se tornou uma grande fonte de renda e de diversificao. Com a consolidao do etanol, da energia eltrica e do biogs, o setor se transforma em uma indstria moderna, atual e comprometida com a agenda mundial do baixo carbono.

Produzimos energia limpa e com preservao ambiental. O reconhecimento internacional de instituies, como a NASA, s nos fortalece e nos d a segurana que estamos no caminho certo. Os clientes de hoje e os de amanh esto preocupados com a origem dos produtos e os impactos dos seus processos produtivos, principalmente os sociais e os ambientais.

Precisamos alimentar o mundo protegendo a Terra. Dezembro de 2017 entra na histria recente desse setor to tradicional e importante, marcando o incio da quarta onda de expanso. O RenovaBio traz segurana e cria o ambiente necessrio para a retomada dos investimentos.

A maior diferena dessa nova onda em relao s outras o reconhecimento das iniciativas mais eficientes e competitivas. O momento de integrao das energias renovveis e a consolidao do conceito de biorrefinaria: etanol de cana e milho; biodiesel, biogs e cogerao. As crises abrem muitas oportunidades para revisarmos os processos e focarmos nos assuntos que realmente so importantes.

A palavra "gesto" tem sido utilizada de diversas maneiras e em diversas situaes. A busca por operaes mais eficientes e enxutas trouxe a agenda da disciplina e do foco. "Fazer mais com menos", para muitos, virou um mantra. Mas, certamente, grande parte desse processo de reviso e de ajustes est atrelado ao controle e ao monitoramento. Sem medir, no seremos capazes de nos comparar e de tornar iniciativas eficazes.

Atualmente, existem ferramentas modernas e atuais de auditoria das operaes, criando anlises comparativas e independentes. Muitas empresas acabam perdendo oportunidades relevantes pela falta de controle das atividades do dia a dia. No agribusiness brasileiro, entre 72-76% agro: plantio, trato, transporte, pessoas etc., e o resto business.

Nunca esteve to consolidado e claro o conceito antigo de que acar, etanol e energia eltrica se produzem mesmo no campo. Esta regio possui mais de 400 anos de experincia em produo de cana-de-acar e, pelo visto, ainda existe espao e demanda suficiente para a sua expanso. A busca recente por operaes agrcolas e industriais mais eficientes impacta rapidamente a nossa competitividade internacional.

Havamos perdido muito dessa competitividade com o crescimento desordenado e intenso dos mesmos ltimos 10 anos. Nesta ltima dcada, aumentamos o nosso custo de produo mdio em quase 10 vezes, saindo dos nveis de USD 5-6 cts/lb para os atuais nveis de USD 12,5-15 cts/lb. Uma das principais causas desse aumento do custo de produo foi a falta de um programa de gesto interna operacional, comercial e financeiro.

Preocupados em chegar, muitos grupos precisaram aumentar suas exposies financeiras, o que trouxe muita volatilidade nos ltimos anos. Nunca estivemos to expostos e com nveis to altos de alavancagem. Operaes estruturais passaram a fazer parte da agenda interna dos departamentos financeiros das usinas. A criatividade e a busca por novos produtos consolidaram tambm o mercado de capitais como uma opo real e factvel. No final, os momentos mais complicados proporcionam situaes importantes de mudana e de revises. A melhor gesto aquela que existe e tem continuidade. Todo dia dia. A disciplina liberta.

*Texto originalmente publicado na revista Opinies ed. Fev-Abr 2019 - 59.

Guilherme Nastari
Diretor da Datagro Consultoria
Os artigos assinados so de responsabilidade de seus autores, no representando,
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