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Banco Mundial corta previso do PIB brasileiro para 1,2% em 2018  

05/10/2018 - A desacelerao da economia brasileira, que contribui com mais de um tero do PIB (Produto Interno Bruto) da Amrica Latina e do Caribe, um dos entraves para o crescimento da regio em 2018, aponta o Banco Mundial em relatrio divulgado nesta sexta-feira (4).

A instituio reduziu suas expectativas para o PIB do Brasil de 2,4% neste ano para 1,2% e de 2,5% em 2019 para 2,2%. No acumulado em 2018, a economia brasileira avanou 1,1%, segundo o IBGE.

Em relatrio, o Banco Mundial ressalta que o Banco Central brasileiro cortou sua estimativa de crescimento em 2018 para 1,6%, ante 2,6%, aps um movimento de caminhoneiros paralisar grandes setores da economia do pas.

"A persistncia de grandes e aparentemente intratveis dficits fiscais, a falta de uma reforma previdenciria significativa e a crescente incerteza poltica sobre as eleies de outubro, em conjunto com a recente apreenso no mercado internacional, colocaram em questo mesmo esse crescimento modesto", diz o documento.

Em setembro, a autoridade monetria brasileira promoveu novo corte na projeo do PIB no ano, para 1,4%.

Alm do ritmo econmico fraco no Brasil, a piora generalizada no cenrio global, a crise macroeconmica na Argentina e a contnua deteriorao da situao na Venezuela fecham o quadro que levou reduo da expectativa de crescimento do bloco Amrica Latina-Caribe para 0,6% em 2018 e 1,6% em 2019 em abril, as previses eram de 1,8% e 2,3%, respectivamente.

O desempenho da regio pressionado pela Amrica do Sul, onde esperada uma contrao de 0,1% neste ano e um crescimento de 1,2% em 2019 sem a Venezuela, a instituio diz que poderia haver avano de 1,2% e 1,9%.

No relatrio anterior, o Banco Mundial projetava crescimento de 1,5% e 2,1% para a Amrica do Sul.

O documento observa que, aps uma desacelerao de seis anos, a Amrica Latina e o Caribe haviam crescido 1,1% em 2017 e esperava-se, at abril deste ano, um avano a taxas ainda mais elevadas nos anos subsequentes. "Infelizmente, nos ltimos seis meses, a regio encontrou alguns solavancos na estrada", disse o Banco Mundial no relatrio.

A previso do PIB argentino pas que precisou recorrer ao FMI (Fundo Monetrio Internacional) em meio a uma crise fiscal e cambial, por exemplo, foi revista de um crescimento de 2,7% para uma retrao de 2,5% neste ano e de uma alta de 2,8% em 2019 para queda de 1,6%.

Em contraste s expectativas para a Amrica do Sul, a poro central do continente e o Caribe devem seguir se expandindo em ritmo saudvel, de 2,8 e 3,7%, respectivamente, em 2018. Para o ano seguinte, as estimativas so de avanos de 3,2% e 3,5%.

Segundo o Banco Mundial, o Mxico dever crescer 2,3% em 2018 (contra 2% no ano anterior) e em 2019, num ritmo estvel, ainda que abaixo do potencial.

Apesar do crescimento projetado de 1,6% para a regio em 2019, o documento ressalta que a situao global ainda parece preocupante, com considervel incerteza poltica no Brasil, um provvel aprofundamento da recesso na Argentina, dvidas sobre a sustentabilidade de algumas reformas
Mxico e guerras comerciais "em erupo com frequncia alarmante".

Fatores externos que continuam relativamente favorveis Amrica Latina e ao Caribe incluem o crescimento robusto nos Estados Unidos, o ainda forte crescimento da China, apesar da desacelerao, e a recuperao no preo das commodities.

"A nuvem escura no horizonte claramente a normalizao da poltica monetria nos Estados Unidos que, aumentando as taxas de juros, contribuiu para uma drstica reverso do fluxo de entrada de capital na regio, um fortalecimento do dlar e uma queda na maioria das principais moedas dos mercados emergentes", diz o relatrio.

Segundo o Banco Mundial, a entrada de capital lquido na regio, medida pelo acumulado em 12 meses, atingiu um pico de US$ 49,6 bilhes (R$ 193,4 bilhes) em janeiro deste ano, mas despencou para US$ 18,8 bilhes (R$ 73,3 bilhes) em agosto.


Endividamento

Para agravar os problemas, diz o documento, a fraca situao fiscal da rea quase no melhorou no ano passado, com 29 dos 32 pases projetados para mostrar um saldo oramentrio global negativo em 2018.

Como resultado, a dvida pblica externa ultrapassou 60% do PIB para a regio como um todo, com seis pases com ndices de endividamento acima de 80%, completa o documento.

Os altos nveis de endividamento enfraquecem as notas de crdito dos pases perante agncias de classificao de risco e tornam o acesso e o custo do crdito internacional mais desafiadores.

"O aumento da dvida tambm reduz o espao fiscal e restringe severamente a possibilidade de usar a poltica fiscal como uma ferramenta contracclica justamente num momento em que muitos bancos centrais da regio sentem a necessidade de elevar as taxas para defender a moeda nacional ou, pelo menos, garantir uma depreciao ordenada", aponta o relatrio.

Para o Banco Mundial, a recuperao frgil da regio destaca a necessidade de aumentar esforos em construir resilincia e gerenciar riscos.

"Agora que a regio est crescendo novamente, hora de se preparar melhor contra riscos e construir resilincia a choques, para que os pases no percam em um dia o que levaram anos para conquistar", disse Jorge Familiar, vice-presidente do Banco Mundial para a Amrica Latina e o Caribe.

"No temos como escapar do fato de que ns vivemos em um mundo com muitos riscos, mas a boa notcia que agora ns entendemos melhor esses riscos e temos ferramentas para control-los com mais sucesso do que no passado", completa.

Anas Fernandes
Fonte: Folha de S. Paulo
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