Sbado, 16 de fevereiro de 2019
:
EDITORIAS
Agncia UDOP | Acar | Biodiesel | Cana-de-Acar | Combustveis Fsseis | Diversas | Economia
Energia | Espao Datagro | Etanol | Frum de Articulistas | Opinio | TV UDOP | ltimas Notcias
Diversas Aumentar a letra    Diminuir a letra
Estudo destaca novo perfil da agricultura no nordeste de SP  

05/10/2018 - Nos ltimos 30 anos, pastagens, gros e citros deixaram de ocupar cerca de 1,5 milho de hectares nas bacias dos rios Mogi-Guau e Pardo, no nordeste do estado de So Paulo. A cana-de-acar foi a lavoura que ocupou a maior parte desse espao, j que ganhou cerca de 1,3 milho de hectares. Mas outras culturas tambm conquistaram terreno na regio: o caso das florestas de eucalipto, de seringueiras e lavouras de cafs de alta qualidade. Cresceram, ainda, as reas de florestas nativas, que hoje ocupam 20% do territrio - atrs apenas da cana.

O novo retrato da agricultura no nordeste paulista e os fatores que motivaram as mudanas esto em um estudo recentemente concludo pela Embrapa Territorial, que comparou imagens de satlite de 125 municpios, em uma rea de 52 mil km, de 1988 at 2016. Os pesquisadores tambm foram a campo para conferir informaes e levantar dados socioeconmicos que explicassem as mudanas e revelassem mais do que as imagens.

As reas com culturas anuais - milho e soja, principalmente - regrediram e caram de 936 mil para 352 mil hectares. A poro norte da rea de estudo tinha mais da metade das terras ocupadas por esse tipo de lavoura no fim dos anos 1980. Atualmente, a parcela destinada a elas chega, no mximo, a 20% em alguns municpios. As culturas anuais ficaram concentradas em dois polos de agricultura irrigada, no entorno dos municpios de Casa Branca e Guara.


Busca por maior rentabilidade

Alternativas mais rentveis do que os cultivos de sequeiro ganham espao nessas condies, a exemplo da batata e da produo de sementes de soja e milho. Chama a ateno tambm o investimento em milho verde, para consumo humano, em vez do milho seco para o competitivo mercado de raes. "Com a irrigao, os agricultores antecipam a colheita com o milho verde e plantam, logo em seguida, feijo e, depois, batata, por exemplo. Fazendo isso, conseguem uma renda maior do que com a cana", constata o pesquisador Carlos Cesar Ronquim, da Embrapa Territorial, que coordenou o estudo.

No se tratou, contudo, de uma mudana promovida pelos agricultores para fazer frente ao avano da cana. Os stios e fazendas naquelas reas j haviam investido na irrigao e mercados com maior valor de venda e, por isso, no tiveram interesse em ocupar reas com cana-de-acar. "Esse agricultor utiliza tecnologia e est obtendo resultados porque consegue tirar trs safras no ano", esclarece o pesquisador.

As culturas anuais, especialmente a soja e o amendoim, tambm ganham espao durante a renovao dos canaviais. A cada cinco anos, a cana precisa ser replantada e, no intervalo entre um plantio e outro, muitos proprietrios ou usinas disponibilizam terreno para o cultivo de leguminosas. uma rea considervel, j que a cana-de-acar ocupa 2,2 milhes de hectares no nordeste paulista.

Para a soja, a produo pouco significativa no contexto brasileiro, comparando-se s grandes lavouras do Centro-Oeste e de outras regies. No caso do amendoim, porm, essa prtica coloca o estado de So Paulo, de modo especial a cidade de Jaboticabal, no topo da produo nacional.


Pastagens encolheram e vegetao nativa aumentou

A rea dedicada pecuria foi, de longe, a que mais perdeu espao no nordeste paulista. H 30 anos, as pastagens estavam em primeiro lugar na ocupao de terras na regio, cobrindo 27% da rea rural. Em 2015, com 13% do espao, aparecem atrs no s da cana-de-acar, mas tambm das reservas de vegetao nativa.

No caso da pecuria de leite, a oportunidade de rendimentos com o arrendamento para a cana-de-acar chegou no momento em que os produtores e cooperativas paulistas encontravam dificuldade para concorrer com outras regies do Pas. At a introduo da tecnologia do leite longa vida, na dcada de 1990, eles no sofriam concorrncia com outros estados, j que o prazo de validade do produto era muito curto. Com o "leite de caixinha", a situao mudou, segundo explica o cientista da Embrapa.

A maior parte dos pecuaristas que conseguiram se manter no setor leiteiro so pequenos. Isso porque o tamanho reduzido das propriedades dificulta a logstica das usinas, que no se interessam por arrend-las. Alm disso, costumam dispor de mo de obra familiar e evitam os custos da contratao de funcionrios. A adoo de sistemas especficos para suas condies, como o do projeto Balde Cheio, da Embrapa, tambm contribuiu para que muitos se mantivessem na atividade. Poucos produtores de mdio e grande porte optaram por permanecer no segmento. Os que o fizeram investiram fortemente em tecnologias de otimizao, escala e controle da produo, observa Ronquim.

Criadores de gado para abate tambm deixaram reas no nordeste de So Paulo e migraram para regies de fronteira com terras mais baratas. Quem permanece normalmente investe na intensificao da produo, com prticas de confinamento e semiconfinamento.


Novo panorama dos citros

A queda na rea de citros ultrapassou os 180 mil hectares, mas, ainda assim, foi significativamente menor do que a dos gros (584 mil ha) e a de pastagens (700 mil ha). Os baixos rendimentos, a necessidade da colheita manual e as dificuldades de combate s doenas que acometem os pomares, especialmente o greening, so os principais fatores que levaram muitos agricultores a desistirem da citricultura. Cidades, antes grandes produtoras, como Bebedouro e Itpolis, hoje tm a maior parte do territrio ocupada pela cana-de-acar.

Ainda assim, a produo total das frutas na regio manteve-se estvel, graas aos ganhos de produtividade. O maior rendimento dos pomares pode ser creditado adoo de tcnicas de manejo, principalmente por meio do adensamento nos novos plantios. Em 1980, havia, em mdia, 360 ps de laranja por hectare; atualmente, a densidade passou para 668 plantas, segundo dados do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). De modo geral, h uma concentrao da produo em grandes propriedades.

Alguns municpios foram na contramo da tendncia de queda de rea e ampliaram os pomares de citros, de olho no mercado de frutas in natura dos grandes centros urbanos de que esto prximos. o caso de Mogi Mirim, Mogi Guau, Casa Branca e Conchal.


Hegemonia da cana

A expanso mais significativa a da cana-de-acar, que cobre 44% das terras no nordeste paulista. Na regio, o setor foi responsvel por metade de todo o valor de produo agropecuria, que atingiu R$ 9,5 bilhes em 2016. A participao maior do que a mdia estadual, que de 35%. Apenas cinco dos 125 municpios estudados no possuem canaviais: guas de Lindoia, Lindoia, guas da Prata, Santo Antnio do Jardim e Divinolndia. Nos outros 120, o volume de terras cultivado com cana aumentou. A exceo Ribeiro Preto, onde a atividade cedeu espao para a expanso urbana.

Em nmeros absolutos, as reas de vegetao nativa so as que mais cresceram, depois da cana. Elas j ocupavam 870 mil hectares e, agora, chegam perto de um milho de hectares. O pesquisador da Embrapa aponta que esse aumento no se deu por plantio, mas por regenerao espontnea e, timidamente, pela melhor conservao das reas de preservao permanente.

Para os prximos anos, a expectativa de mais crescimento, tendo em vista o novo Cdigo Florestal e a proibio da colheita manual da cana, o que, na prtica, inviabiliza a produo em reas com declividade acima de 12%. O monitoramento por satlite revela 150 mil hectares de canaviais nessa condio, o equivalente a 7,1% da rea das bacias analisadas.

As florestas plantadas tambm aumentaram: 17 mil novos hectares para o eucalipto e perto de 12 mil para as seringueiras. Essas ltimas tiveram o crescimento relativo mais expressivo, j que, em 1988, ocupavam menos de 200 hectares. Mesmo com esse salto, a heveicultura segue pouco expressiva na regio. O eucalipto chegou a 157 mil hectares, mas tambm tem pouca participao do valor de produo agropecuria, ficando frente apenas da pecuria leiteira.


Potencial para avano de cafs especiais

O que surpreendeu os pesquisadores foi a expanso do caf: a rea quase dobrou, passando de 67 mil para 123 mil hectares. O fenmeno se deu na regio da Mogiana, prxima a Minas Gerais, com destaque para Pedregulho, Caconde, Franca e Cristais Paulista. Nos 26 principais municpios produtores de caf, localizados no leste da regio de estudo, foi observada uma rea de caf de 114.367 ha, o que representa cerca de 90% de toda a produo cafeeira da regio de estudo e mais de 50% da produo de caf no estado de So Paulo.

Em visita ao local, a equipe constatou que o investimento se deu na produo de cafs especiais, que so favorecidos pelo relevo e clima da regio. Cerca de 90% desses cafezais esto em terrenos com altitude superior a 800 metros. "O caf de qualidade produzido tem maior valor no mercado. Com a margem de lucro ampliada, os produtores conseguem permanecer na atividade e at expandir as plantaes", analisa Ronquim.

O estudo da Embrapa Territorial mostra que a regio tem potencial para novos avanos de cafezais, j que h muitas pastagens em altitude elevada, em terrenos com declividade inferior a 20%. O cenrio econmico tambm favorvel: o consumo de caf cresce internacionalmente, sendo o Brasil o segundo maior mercado do mundo.

A Embrapa encaminhou os mapas comparativos da ocupao das reas rurais para as casas da agricultura dos 125 municpios do estudo. Para Ronquim, acompanhar e compreender a dinmica da agricultura pode ajudar o planejamento dos governos locais e das cooperativas.

Fone: Datagro
Texto extrado do portal Universoagro
Notcias de outros veculos so oferecidas como mera prestao de servio
e no refletem necessariamente a viso da UDOP.
Enviar por e-mail Imprimir
Clipping de Notcias UDOP
Inscreva-se e receba as novidades do setor.
    
Notcias Relacionadas
15/02/19 - Safras corta levemente estimativa para soja do Brasil com tempo mais favorvel
  - Safra de milho no Rio Grande do Sul j foi 39% colhida
  - Plantio de milho na Argentina concludo
  - Safras faz leve corte em estimativa para soja no Brasil e v melhora climtica
  - IEA: soja supera milho em rea plantada em So Paulo
Para enviar a notcia, basta preencher o formulrio abaixo.
Todos os campos so de preenchimento obrigatrio!
 
Estudo destaca novo perfil da agricultura no nordeste de SP
 
Seu nome:
Seu e-mail:
Destinatrio:
E-mail destinatrio:
(separe mais de um e-mail por ,)
Comentrio:
 
 
A UDOP

• Associadas
• Associe-se
• Estrutura Administrativa
• Nossa Histria
• Misso, Viso e Objetivos
• Trofu da Agroenergia
• Serviços Prestados
• Vídeo Institucional
• Contatos
Institucional

• Comits de Gesto
• Convênios e Parcerias
• Legislação
• Sustentabilidade
UniUDOP

• A UniUDOP
• Comits de Gesto
• Congresso Nacional da Bioenergia
• Frum de Implementao Tecnolgica
• Pós-Graduação
• Qualifica
• Seminrio UDOP de Inovao
Imprensa

• Agncia UDOP de Notcias
• ltimas Notcias
• Frum de Articulistas
• Galerias de Fotos
• Mdias Sociais
• RSS
• TV UDOP
• Apoio Cultural
• Contatos
Dados de Mercado

• Boletins
• Comércio Exterior
• Consecana
• Cotações
• Indicador - Açúcar
• Indicador - Etanol
• Produo Brasileira
Servios

• Biblioteca Virtual
• Bolsa de Empregos
• Bolsa de Negócios
• Calendrio de Eventos
• Guia de Empresas
• ndice Pluviomtrico
• Pesquisas UDOP
• Previso do Tempo
• Usinas/Destilarias
Mapas

• Usinas/Destilarias
• Bacias Hidrogrficas
UDOP - União dos Produtores de Bioenergia
Praça João Pessoa, 26 - Centro - 16.010-450 - Araçatuba/SP - tel/fax: +55 (18) 2103-0528

2012 - Todos os direitos reservados

POLÍTICAS DE PRIVACIDADE
Desenvolvimento:
/