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Startups elevam ganhos do agronegócio  

14/05/2018 - As agrotehs, startups que oferecem tecnologias voltadas ao agronegócio, estão ajudando a impulsionar ainda mais o segmento responsável por 22% do PIB nacional, que em 2017 foi de R$ 6,6 trilhões.

Enquanto algumas oferecem soluções que contribuem com o aumento da produtividade, outras auxiliam na tomada de decisão, analisando grande volume de dados.
Entre elas está a CowMed, de Thiago Martins, que monitora e avalia questões nutricionais, sanitárias e reprodutivas de vacas. "Brinco que nosso grande negócio é expressar a `opinião´ da vaca para o produtor."

A tecnologia é embarcada em coleira usada pelos animais. "O equipamento emite dados sobre o comportamento de ruminação, que é indicador da saúde animal." O desenvolvimento do produto começou em 2010 e foi lançado há dois anos.

"O idealizador foi meu pai. Ele é professor universitário e foi fazer doutorado em Portugal. Na Europa, conheceu sistemas de monitoramento de vaca chamado pedômetro. Na volta, sugeriu que eu, aluno de engenharia mecânica, e Leonardo, meu irmão, aluno de engenharia elétrica, iniciássemos pesquisa sobre o assunto."

Atualmente, a tecnologia atende 50 propriedades. "Depois que a solução chegou ao mercado, percebemos a necessidade de assessorar o pecuarista na interpretação dos dados e passamos a oferecer plano de monitoramento de saúde e bem-estar animal", conta.

Ele mantém equipes que acompanham e interpretam dados 24 horas por dia. "Quando identificamos que algo está errado emitimos alerta ao proprietário."

Segundo ele, pelas variáveis dos dados, muito mais que dar alertas, as vacas dão `opinião´. "Identificamos, por exemplo, quando estão se preparando para parir, quando estão com estresse térmico, se estão gostando da comida ou prestes a ficar doentes. Com base nessas informações, os pecuaristas tomam medidas preventivas e evitam o adoecimento dos animais."

Ele conta que um cliente reduziu em 50% a taxa de descarte de animal por ano. Já a produção de outro produtor passou de 28 litros de leite por vaca/dia, para 38 litros por vaca/dia.

"Não é milagre, é que agora os produtores `escutam´ as vacas e elas estão felizes, por isso, entregam mais qualidade." Até o final do ano a empresa espera monitorar 20 mil animais. Hoje, monitora quatro mil.


Pesquisa

Pós-doutorado em genética e manejo de culturas agrícolas, o CEO da Smartbreeder, Eder Giglioti, atua há 25 anos na área de pesquisa.

"Sempre busquei uma solução inteligente para otimizar a performance e a gestão do manejo das plantações, porque os produtores gastam muito com insumos para controlar doenças, pragas e fazer adubação."

Segundo ele, pela complexidade de cada cultura, os produtores perdem 40% do investimento, porque não acertam onde, como e quando usar os insumos de maneira ideal.

"Assim, fazem mais aplicações de produtos e o volume de adubação tem de ser maior. E por não fazerem o manejo adequado, não atingem a produtividade ideal."

Giglioti ressalta que vivemos a quarta revolução da agricultura. "É revolução da informação, mas mais que informações precisas, o produtor precisa tomar decisões assertivas e isso é possível por meio de modelagens matemática e algoritmos."

A plataforma desenvolvida pela Smartbreeder utiliza tecnologia de big data, inteligência artificial, dados em nuvem e conhecimentos de biologia, física, medicina e estatística.
"Trabalhamos com essa camada de inteligência e orientamos os produtores. As recomendações incluem desde o dimensionamento de equipe necessária para uma ação até locais onde há cultura de bicho-da-seda, apiários e assentamentos. Analisamos mais de 100 milhões de dados", afirma.

A plataforma foi desenvolvida e validada ao longo de seis anos e chegou ao mercado no final de 2015. "A solução já foi empregada em dois milhões de hectares de cana-de-açúcar e ajudou a aumentar a produção em seis milhões de toneladas."

Giglioti tem como meta, até 2019, atender 300 mil hectares de plantações e chegar a 1,5 milhão de hectares em 2020.


Queimada

"O nível de perdas de plantações e florestas atingidas por incêndios é muito grande e todo o sistema de detecção e controle sempre foi feito manualmente, contando com apoio da sociedade", afirma o CEO da Sintecsys, Rogério Cavalcante.

Para sanar o problema, a empresa desenvolveu algoritmo e utiliza câmeras acopladas em torres para detectar focos de incêndio localizados em um raio de até 15 km de distância.
"A tecnologia é 100% nacional e consiste em câmera que gira 360º em busca de fumaça. Ao identificar um foco de fumaça é emitido alerta para o operador do sistema, que realiza a triangulação de imagens e obtém a coordenada do foco."

Segundo ele, a tecnologia reduz o tempo de detecção de 40 para cinco minutos. Além disso, reduz em mais de 90% o tempo de duração do incêndio e em 100% a aplicação de multas ambientais. "Oferecemos o sistema por meio de locação."

A empresa está no mercado desde 2016 e espera crescer 60% este ano em contratos assinados. "Dentro de dois anos pretendemos começar o processo de internacionalização, porque já existe demanda."

Cavalcante destaca que o produto também pode evitar catástrofes ambientais provocadas por incêndios, como as que ocorrem nos Estados Unidos, Austrália e Portugal.

Segundo ele, para ter acesso ao serviço o proprietário investe R$ 6,9 mil por mês. "Um único ponto é capaz de monitorar a propriedade inteira, porque abrange cerca de 20 mil hectares. Os proprietários podem se unir e adicionar novas torres ao sistema, abrangendo área cada vez maior."


Empresa monitora territórios para orientar tomada de decisão

No mercado há dez anos, a plataforma Agrotools, de Sergio Rocha, é uma startup que cresceu e conquistou inserção nacional e internacional. A empresa desenvolveu sistema que identifica à distância o que acontece em um determinado território.

"Em um país com dimensões como o nosso é importante ter informações sobre as áreas de interesse de nossos clientes, para que eles saibam se ela está sofrendo consequências das mudanças climáticas ou se é apropriada ao plantio de soja, milho, algodão etc."

Ele diz que isso é possível usando a tecnologia geomática - técnica que integra todos os meios usados para a aquisição e gerenciamento de dados espaciais, como cartografia, mapeamentos digitais, sensoriamento remoto, sistemas de informações geográficas, hidrografia e imagens de satélite.

"Um dos alicerces da empresa é a nossa capacidade de traduzirmos essas informações, que resultam em webmaps. Além disso, nesses dez anos, colecionamos muitos dados, suprindo a carência de dados na área de agronegócio existente no País."

Ele afirma que a empresa faz curadoria e arquiteta esses dados de maneira que respondam a algum desafio do agronegócio em áreas como cadeia de suprimentos, crédito, seguro ou mesmo em relação a compliance. "O agronegócio moderno não admite mais a produção em área que prejudique as futuras gerações ou que demande a destruição de florestas."

Rocha conta que a Agrotools tem linha de produtos só de compliance. "Atestamos, por exemplo, que o produtor não tem trabalho escravo, não está em área indígena, não desmata, não ocupa área de preservação. Usamos a geotecnologia para isso. Esse tipo de informação vira atributo e estratégia de vendas para toda a cadeia."

A empresa tem entre seus clientes grandes varejistas que querem entender a origem dos produtos de seus fornecedores.

"Não orientamos o produtor sobre como melhor aproveitar o território, mas sim como aquele território está sendo tratado. Nossa agenda é fora da porteira. Os clientes utilizam esses dados para saber se podem acessar crédito melhor, seguro mais adequado, ou atrair comprador de melhor qualidade e obter melhor preço", afirma.

"Usamos inteligência de dados para melhorar o posicionamento do produtor. Nosso ator principal é o território, que é o conector disso tudo."

Rocha diz que mais de 15% das maiores empresas do agronegócio são atendidas pela Agrotools - bancos, seguradoras, indústrias, trades etc. "Eles, por sua vez, têm milhares de fornecedores. Nós os ajudamos a saberem mais sobre esses fornecedores."

O empresário afirma que as informações fornecidas contribuem com a tomada de decisão dos clientes e com a transformação digital desses negócios. "As grandes corporações conseguem ser mais automatizadas e entender para quem estão dando crédito ou de quem estão comprando. Assim, criam grau de entendimento do risco mais qualificado."

O negócio possui escritório na Argentina e já atendeu clientes de diversos países. "Vendemos a inteligência dos dados para determinado objetivo."

Rocha diz que o mundo tecnológico que estava muito distante do mundo agro está se aproximando com muita velocidade.

"Isso estava represado e agora está vindo com grande velocidade. Há dez anos, falávamos praticamente sozinhos e ficávamos roucos ao tentar mostrar que a revolução agro 4.0 estava para acontecer. Agora, já aconteceu de fato e fomos um dos indutores. Lideramos o mercado de utilização de dados."

13/05/18
Cris Olivette

Fonte: O Estado de S. Paulo
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