UDOP - União Nacional da Bioenergia

FALTAM APENAS

DIAS

HORAS

MINUTOS

SEGUNDOS

PARA O EVENTO MAIS INOVADOR DO SETOR

FALTAM APENAS

DIAS

HORAS

MINUTOS

SEGUNDOS

PARA O EVENTO MAIS INOVADOR DO SETOR

EDITORIAS
Agência UDOP | Açúcar | Biodiesel | Cana-de-Açúcar | Combustíveis Fósseis | Diversas | Economia
Energia | Espaço Datagro | Etanol | Fórum de Articulistas | Opinião | TV UDOP | Últimas Notícias
Fórum de Articulistas Aumentar a letra    Diminuir a letra
Potencial da bioeletricidade é superior à importação de energia pelo Estado de São Paulo  

13/10/2017 - Segundo a Secretaria de Energia e Mineração do Estado de São Paulo, a produção anual paulista é de mais de 50 mil GWh e a utilização da energia elétrica está em torno de 130 mil GWh, o que resulta na importação de aproximadamente 80 mil GWh de outros estados, ou seja, o Estado de São Paulo importa mais de 60% da energia elétrica necessária para seu consumo.

No Estado de São Paulo, a energia produzida para a rede elétrica pela fonte biomassa tem contribuído para diminuir essa dependência da geração de outros estados. Em 2016, de acordo com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), mais de 90% da geração pela fonte bioeletricidade para a rede esteve concentrada em apenas cinco Estados da Federação: São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Paraná. O Estado que mais gerou bioeletricidade, em 2016, foi justamente São Paulo com uma produção de 11.845 GWh, responsável por 50% do volume total para a rede ano passado.

Apesar deste desempenho significativo pela fonte biomassa, o aproveitamento da bioeletricidade ainda está bem distante de seu potencial pleno, mesmo no Estado de São Paulo. A partir de coeficientes técnicos apresentados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) na proposta de Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2026), podemos estimar um potencial técnico de geração para a rede elétrica, apenas pela bioeletricidade sucroenergética no Estado de São Paulo, de aproximadamente 83 mil GWh em 2016.

Trata-se de um potencial técnico calculado com uma biomassa já presente nos canaviais paulistas, com base na safra passada paulista, da ordem de 366 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, 56% do total da cana processada no país. Ou seja, sem aumentar um pé de cana no Estado de São Paulo, o potencial técnico da bioeletricidade sucroenergético para a rede seria equivalente a 65% do consumo total de energia elétrica naquele Estado, no ano passado.

O potencial técnico da bioeletricidade sucroenergética ofertada à rede seria superior ao total da importação de energia elétrica para atender o Estado de São Paulo, responsável sozinho por 28% do consumo nacional de energia elétrica ano passado.

Por outro lado, o cálculo revela que estamos aproveitando menos de 15% do potencial técnico da bioeletricidade sucroenergética no Estado de São Paulo. Este potencial subaproveitado demonstra uma singular oportunidade de se estruturar um programa de retrofit do parque instalado e de aproveitamento da palha e do biogás, na linha do que poderia ser chamado de "Expansão Dirigida" no PDE 2026, na qual se incorporam políticas energéticas relativas ao desenvolvimento de determinada fonte de geração.

Além do mais, esses dados, ainda que teóricos, indicam que a opção exclusiva por leilões nacionais no Ambiente de Contratação Regulada (ACR), sem uma correta avaliação dos atributos de uma fonte de geração distribuída, como é a bioeletricidade sucroenergética, amplia a necessidade de investimento em transmissão elétrica e o nível global de perdas no sistema, apenas para ficar em alguns aspectos geo-elétricos.

Uma iniciativa que poderia promover um maior aproveitamento integrado e regional dos recursos energéticos seria revisitar o conceito de Geração Distribuída como modalidade de contratação pelas distribuidoras de energia elétrica, estabelecido pela Lei nº 10.848, de 15 de março de 2004, e regulamentado pelo Decreto nº 5.163, de 30 de julho de 2004.

Desde 2004, na forma de chamadas públicas, as distribuidoras podem contratar até 10% da demanda por energia a partir de empreendimentos de geração distribuída que estejam conectados em sua área de concessão. Porém, esta modalidade de contratação raramente foi utilizada pelas distribuidoras justamente pelo arranjo institucional e regulatório praticamente indicar a opção exclusiva por leilões nacionais no Ambiente de Contratação Regulada (ACR).

Em 2016, de acordo com a Secretaria de Energia e Mineração do Estado de São Paulo, com 18,4 milhões de consumidores, as distribuidoras de energia elétrica que atuam no Estado de São Paulo distribuíram 127.065 GWh. Considerando este volume de demanda gigantesco no Estado de São Paulo, se as usinas sucroenergéticas paulistas fossem estimuladas a atender até 10% da demanda dessas distribuidoras, a produção de bioeletricidade para a rede poderia mais do que dobrar em relação à atual geração no Estado de São Paulo.

Em julho deste ano, o Ministério de Minas e Energia (MME) abriu a Consulta Pública no 33, na qual foi apresentada uma ampla proposta de aprimoramento do marco legal do setor elétrico. O resultado servirá de base para futuros regulamentos como, por exemplo, uma Medida Provisória ou Projeto no Legislativo para a modernização institucional do setor elétrico brasileiro.

Considerando que a proposta de marco regulatório ainda está em análise, temos uma grande oportunidade de resgatar o conceito de Geração Distribuída como modalidade de aquisição de energia para atender às distribuidoras locais, tirando esta forma de contratação do papel e estimulando o desenvolvimento dos potenciais regionais de geração, como é a bioeletricidade no Estado de São Paulo.

O redesenho da modalidade de contratação da Geração Distribuída, com valores de referência específicos adequados para a biomassa/biogás, que incorporem seus atributos nos respectivos preços, e um programa robusto de contratação em estados onde há potencial de oferta e demanda (como é São Paulo) seriam extremamente benéficos não somente para o aproveitamento energético dos recursos energéticos locais, mas para o Sistema Interligado Nacional como um todo.

Zilmar José de Souza
Gerente de Bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar - Unica
Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não representando,
necessariamente, a opinião e os valores defendidos pela UDOP.
Enviar por e-mail Imprimir
Clipping de Notícias UDOP
Inscreva-se e receba as novidades do setor.
    
Notícias Relacionadas
23/10/19 - EPE estuda potencial para modernização de cerca de 50 GW em hidrelétricas no Brasil
  - Dólar fecha em queda e se mantém abaixo de R$ 4,10 após votação final da reforma da Previdência
  - Ibovespa renova recorde com início de temporada de balanços
  - Arrendamento faz custo de produção do milho subir no MT
  - Tarifas da EDP São Paulo vão cair, em média, 5,33%
  - Biosul discute com o governo do MS legislação fiscal do estado
  - RB065862 pode ser a primeira variedade de cana selecionada no MS
  - Eólicas e usinas a gás devem liderar expansão do sistema elétrico até 2029, diz PDE
22/10/19 - Volume diminui no subsistema SE/CO, que opera acima de 25%
  - Bandeira amarela contribui para IPCA-15 de 0,09% em outubro
  - Alcoeste vai até dezembro e moerá cana mais cedo em 20/21, com mais 10% para só etanol
21/10/19 - Sucroenergéticas aliam tecnologia e sustentabilidade para garantir melhores resultados no setor
  - Biomassa da cana vende mais energia que a fotovoltaica no A-6
14/10/19 - Bioeletricidade gera 2,5 vezes mais que carvão mineral, mas acumulado cai em relação a 2018
09/10/19 - Automação no campo eleva produtividade
25/09/19 - Usina Rio Amambaí Agroenergia realiza o 3º Dia de Campo
20/09/19 - Assembleia da UDOP aprova a inclusão de duas novas associadas ao quadro da entidade
16/09/19 - Melhores tecnologias do setor estarão no 2º Seminário UDOP de Inovações; inscrições abertas
04/09/19 - UDOP abre prazo de preenchimento de sua Pesquisa de Remuneração, referência no setor
26/08/19 - Presidente executivo da UDOP é eleito na categoria Quem é Quem no Setor
02/08/19 - Chuva e vento nos canaviais de São Paulo
10/07/19 - Geada afeta canaviais na região de Ribeirão Preto, mas reflexos só devem ser percebidos em dez dias
17/06/19 - Irrigação localizada eleva produtividade média do canavial
27/05/19 - A bioletricidade e os leilões de energia
02/05/19 - Bioeletricidade na Região de Ribeirão Preto: potencial para suprir 1/2 das residências em SP
23/04/19 - Modernidade na prática
17/04/19 - Expansão da bioeletricidade pode reduzir emissões
27/03/19 - São Paulo: 44% da bioeletricidade em 2018
Para enviar a notícia, basta preencher o formulário abaixo.
Todos os campos são de preenchimento obrigatório!
 
Potencial da bioeletricidade é superior à importação de energia pelo Estado de São Paulo
 
Seu nome:
Seu e-mail:
Destinatário:
E-mail destinatário:
(separe mais de um e-mail por ,)
Comentário: